domingo, 28 de fevereiro de 2016

Para cada tropeço, um recomeço. 
Para cada passo, um abraço.

navega a dor

Nas ilhas de emoção,
Resistem fragmentos de razão.
Arquipélagos que são de dentro, 
Banhados por um mar. 
Ora é a calma, ora é a tormenta:
Movimentos da vida.
Marés de amor,
Não tem bússola, o navegador.
Paradoxo da saudade:
Se estou aqui, sinto falta de lá. 
Se estou lá, sinto falta daqui. 
De amor e saudade, eu sempre sofro um pouco.

Quase tudo é véspera...


Hoje a noite, ao sair da primeira reunião com pais do ano, não pude deixar de reparar que a lua estava ainda mais deslumbrante. Parece até que atingiu o limite da exuberância! Magnética.
Amanhã a lua estará cheia. Inteira e confortávelmente redonda ao nosso olhar. 
Hoje é a véspera. 
Sempre a espera, o caminho e o processo. É sempre um devir. 
O que a lua tem a ver com o primeiro dia? Não sei!
Só sei que amanhã é o dia, que depois virão outros, mais outros e ainda outros tão marcantes como "amanhã da véspera".
Esse tal frio na barriga novidadeiro, de um crescer para estar cheio e inteiro. E saber-se minguar e estar nova quando a vida demandar.
Para cada lua, uma véspera!
Para cada dia, um novo céu!

sábado, 9 de janeiro de 2016

limpar gavetas: entre apegos e desapegos.

Vivo procrastinando um exercício básico e fundamental: Limpar gavetas. Uma hora chega e é sempre um momento reflexão pessoal.
Desconfio que sofro de um síndrome, me autodiagnostiquei como "acumuladora de retalhos". Retalhos de história. Minha mãe tem outra denominação: desde pequena, me chama de "ratinha". Acho carinhoso.
Eu vou guardando tudo o que me é importante em gavetas e em uma infinidade de caixinhas. Passa um tempo,eu vou olhar.
Com uma facilidade inacreditável, tiro tudo que não me interessa mais. Tudo o que, por certo, havia restado em outras faxinas. Não há um apego excessivo pelos objetos em si.
Eis que sobra menos nas gavetas do que enche a sacola.
Sobra espaço, sobre um vazio inquietador. Um vazio de recomeço. Sei que logo outros "tesourinhos" e "lixinhos" vão ocupar as lacunas e cantinhos. Fica o essencial, deixo apenas o que é fundamental. Assim como na vida, é preciso escolher: Manter, desfazer-se, ficar, ir e buscar. Entre tantas outros verbos que definem como percorreremos nossos caminhos.
Limpar gavetas, no meu caso, é mais válido do que fazer aquelas listas com metas de ano novo.
Metas incumpríveis, quando não se está pronto.
Arrumar gavetas é pensar-se e planejar-se In loco. Numa viagem de metalinguagem: Organizar-se, organizando as coisas que nos revelam.
As coisas deixam de ser o que eram, justamente, porque são provisórias. Os sentidos se deslocam pelos movimentos da vida. As descobertas desse exercício, certamente, serão singulares e momentâneas. Vale se pensar enquanto se olha e se pensa sobre nossos retalhos. O meu saldo reflexivo de hoje é de que o que realmente importa está guardado dentro de mim,em lembranças e experiências. Mas, que as pequenas relíquias merecem sempre a presença evocativa de doces saudades. Um lencinho pintado, um presente dado, uma marca minha de um grande e importante afeto, simbolizado há 29 anos dos meus 31.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Brisa de um instante


Esse é meu instante.
Instante de silêncio.
Janela aberta, mirando ao longe.
Realidade e fantasia.
Loucura e insensatez.
Sou o ontem e o hoje,
Mais um pouco é amanhã.
Misturada em devaneios
Cenários de viver.
Meu corpo e minha alma,
Às vezes, maltratada também sabe receber.
Difícil desistir, ousar e insistir
Num jogo de peças trocadas.
Fácil, estou errada
É o tempo que corre, me leva ao acaso.
Não gosto de atraso.
Correndo, chego antes.
A noite é um vento.
Eu olho para dentro.
Um turbilhão me carregando
Aí o que vem é a saudade
Do que a leveza me deixou.
Eu quero aquela calma.
Tranquilidade esperta
Que sabe o que espera
No caminho logo ali.
Se for me deixar ir:
Eu sei vai ser ruim
Mais para mim do que para ti.
Uma pausa de silêncio.
Uma brisa de verão.
O que eu trago aqui dentro já não tem mais vazão.
Espero o momento,
Fruindo criação.
Palavras lavrando sem nenhuma intenção.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Sobre uvas passas, (mu)danças e as festas de final do ano!


           Primeiramente, preciso me posicionar e confessar que amo uva passa e as como durante todo o ano. Misturadas na salada ou na farofa: é minha ceia pessoal sem data especial. Vi algumas "campanhas" recentes, nas redes sociais, contra as inofensivas bolinhas doces e suculentas. (sim, elas são deliciosas quando bem preparadas).
          Bueno, esse texto não pretende ser um texto culinário. É que me "passa" uma metáfora também bastante divulgada e visualizada nas telas: "tudo na vida passa, até a uva passa" ou "tudo passa, tudo muda". A máxima de que "Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio... pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem!"  Ou, na voz de Lulu: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa. Tudo sempre passará (... )tudo muda o tempo todo no mundoooo!” (desculpa, também grudou no cérebro agora. Foi inevitável!).  “Amanhaaaaã...” (eu sei, essa foi terrível).
                Essa coisa toda é pra dizer da nossa necessidade em pensar na mudança. Dever ser para isso que tem sempre um “ano novo”. Marcamos nosso tempo, demarcamos nossa história através dele. É preciso saber que podemos nos transformar, não que devemos, mas que podemos. Penso num (des)Imperativo do que vai passar... É sempre uma escolha. A dor passa se deixamos de gozar os benefícios de ser vitima. A ilusão de uma paixão também passa quando nos olhamos fora do espelho do Narciso. Novos hábitos podem surgir, quando nos damos conta de que “o passado é uma roupa velha que não serve mais”.
                Além de gostar de passas, sou suspeita em falar sobre renovações porque minha vida é cheia delas. Pequenas rupturas traduzem o que sou hoje. Minha vida podia estar dentro de uma caixa, uma falsa caixa de presente, com certezas e práticas tradicionais e conservadoras. Onde estava meu desejo? Quase foi isso. Não foi porque rompi meu silêncio papelão, estou rompendo a cada dia... ”E não é fácil!” Acho que reside ai a importância do significante  (Mu)dança. E como é bom dançar com a vida. Vez ou outra, pisei no pé do partner, tive o meu pisado também. Sai do ritmo e quase escorreguei. Mas logo vem outra música e posso acertar o passo, novamente.

                Tem coisas que mudam, que passam e não fazem a mínima falta. Mas, tem coisas que permanecem e que nos deixam seguros para que não nos percamos por completo nesse caos que a vida pode ser, às vezes. Para mim, se no final do ano tiver família, música, boa comida, dança, reflexões e uva passa, no “Amanhã está toda a esperança por menor que pareça...”. Por isso, defendo a permanência da uva passa nas festas de final do ano. É uma escolha comê-las ou não. “Quem não quiser que as separe”.