terça-feira, 3 de julho de 2018
Só chove!
Por medo do meu temporal,
guardei as palavras
chovendo em ensaios.
Ventava realidade.
Sem chances de um pôr do sol,
redigi nuvens carregadas.
Prenúncio de que água tarda mas não falha.
(Trans)lúcida fala.
Quando vem, lava.
Me escorro em alma,
na calma da escrita.
Agora só a chuva salva.
quinta-feira, 31 de maio de 2018
inscritos
Eu aprendi sua cartografia.
Cada detalhe, eu reconheci-
do teu calor ao teu frio,
do que é aparente ao que é vil.
das superstições ao ceticismo que gosto de ver-
das linhas das tuas mãos em que eu gostaria de ler
talvez vestida de cigana, jogaria minhas cartas
dançaria em um vendaval.
eu sei você de cor- da ponta dos dedos ao fio do caos.
Sob o calor do sol, a pele dourada.
O abraço quente cobrindo do frio.
Na chuva fina, seu jeito manso.
Me lavo
- às vezes travo
no teu clima sem previsão.
Já li sua biografia,
todos os capítulos que você me revelou.
Das tuas pequenas loucuras as coisas lindas que você criou.
Do que nos faz chorar, das nossas risadas na cama
e do meu batom que mancha sua boca.
Todos os signos inscritos no teu ser.
sábado, 12 de maio de 2018
Perdida
Tão perdida
quanto me encontraste,
Subitamente, sem qualquer resposta, te achei dentro de mim.
Tão perdida quando te entregaste,
Inesperadamente, ao não traçar caminhos, correspondi.
Tão perdida como nas manhãs sem fim, sigo
desnorteadamente apaixonada,
gostando de me buscar em ti.
domingo, 29 de abril de 2018
-novos sentidos do (meu) dicionário da vida.
A distância é uma ponte inefável;
quando faço do passo, confiança.
O perdão perdeu o peso;
ganhou asas, voando compaixão .
A presença respirou novos ares;
nos ventos da liberdade, é conexão .
A amizade despreendeu-se da escolha;
mas como laço, se ajusta na entrega.
O amor eximiu-se da cobrança,
alicerçando-se no desejo, na doação e na esperança.
quando faço do passo, confiança.
O perdão perdeu o peso;
ganhou asas, voando compaixão .
A presença respirou novos ares;
nos ventos da liberdade, é conexão .
A amizade despreendeu-se da escolha;
mas como laço, se ajusta na entrega.
O amor eximiu-se da cobrança,
alicerçando-se no desejo, na doação e na esperança.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Menino
Eu vi um menino
O menino corria,
morro a baixo
freava os pés descalços no asfalto e seus buracos.
O menino olhava perdido,
suava e bufava.
Corpo franzino,
respirar não era possível.
O menino esquivo desaparecia.
Ali, na curva, eram ele e a lua.
Sirene, gritaria, latidos.
Um estampido que ofusca.
(A)bala
não era para ele.
Menino,
na camiseta jaz
escrito
PEACE
O menino corria,
morro a baixo
freava os pés descalços no asfalto e seus buracos.
O menino olhava perdido,
suava e bufava.
Corpo franzino,
respirar não era possível.
O menino esquivo desaparecia.
Ali, na curva, eram ele e a lua.
Sirene, gritaria, latidos.
Um estampido que ofusca.
(A)bala
não era para ele.
Menino,
na camiseta jaz
escrito
PEACE
sábado, 21 de abril de 2018
Tempo
Permita-me o tempo vivê-lo por inteiro.
Ser entrega e ser espera, tal qual o silêncio é para o som.
Nas ondas do instante, sou presa em pressa.
Sentindo as emoções que dão o tom em toda escala.
Percorrendo oitavas em meus compassos mais íntimos.
Ritmos e vínculos.
Dançantes e cambaleantes as borboletas que me levam.
Me carregam, feito música, o presente.
Ser entrega e ser espera, tal qual o silêncio é para o som.
Nas ondas do instante, sou presa em pressa.
Sentindo as emoções que dão o tom em toda escala.
Percorrendo oitavas em meus compassos mais íntimos.
Ritmos e vínculos.
Dançantes e cambaleantes as borboletas que me levam.
Me carregam, feito música, o presente.
terça-feira, 10 de abril de 2018
ambos
Ambos à beira do caminho,
pensamos que é muito longo.
Desvio por um atalho e respiro.
Dentro do nosso olhar, espera um futuro.
pensamos que é muito longo.
Desvio por um atalho e respiro.
Dentro do nosso olhar, espera um futuro.
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